terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ciclos


Nem bem cheguei e ele já me olhou. Saiu do mergulho na xícara de café assim que escutou minha voz. Olhar indiscreto, me percorreu de cima a baixo e ainda esperou que fizesse a volta na mesa para conferir o outro lado também. Cafajeste. Eu não estava muito arrumada, mas também não estava de qualquer jeito, claro. O batom básico estava nos lábios e os cabelos, bem escovados. Talvez o jeans surrado e a blusa de linho amarela não ajudassem. Mas eu sabia que aquele olhar não era de desaprovação. Pelo contrário, era cheio de pretensões. Eu sorri e retornei o olhar.
Quarenta minutos se passaram. Fui embora sem ele e sem o olhar que, agora, pertencia à outra.

3 comentários:

backhoe loader disse...

very nice! hahahahaha

Kelli Pedroso disse...

Achei jóia esse conto! Beijo!

Eliane ratier disse...

Olá Karen,minha xará de signo, sortuda estudante da unisinos, discípula do mestre Carpinejar, trabalha se divertindo entre livros, vida boa! Suspeito que a lista de emails tem a ver com Fabrício, um abraço.